Bisfenol A - Perguntas e respostas

1. O que é Bisfenol A?
O Bisfenol A (BPA) é uma substância química empregada na fabricação de policarbonato, produto desenvolvido há mais de 50 anos, e em resinas epóxi. O policarbonato, por suas características de transparência e resistência a altas temperaturas e choques, é utilizado na fabricação de inúmeros produtos, como CDs e DVDs, mamadeiras, lentes de óculos, capacetes, equipamentos de proteção para prática de esportes e equipamentos médicos.

As resinas epóxi são normalmente usadas em revestimentos para proteção de materiais, devido à combinação excepcional de rigidez, adesão, formabilidade e resistência química. Usadas como revestimento em latas de alumínio, as resinas epóxi protegem a integridade e a segurança de alimentos, prevenindo a corrosão e contaminação de bebidas e alimentos enlatados por metais e bactérias. As características das resinas epóxi também as tornam adequadas para diversas outras aplicações, como laminados de placas de circuito impresso, compósitos de alta resistência, tintas e adesivos.

2. Quais são os benefícios do uso do policarbonato e das resinas epóxi?
O policarbonato é um dos plásticos mais duráveis e versáteis disponíveis no mercado. Por ser extremamente resistente a quebras e a altas temperaturas, produtos feitos com este material podem ser esterilizados corretamente. A transparência é uma característica importante do policarbonato, pois permite uma visão clara da superfície para detecção de resíduos, um aspecto de grande relevância no uso em mamadeiras.
O emprego de resinas epóxi para revestimentos internos de latas de alumínio garante a integridade e a qualidade dos alimentos, pois previne a contaminação de bebidas e alimentos enlatados pelo metal.

3. É possível produzir policarbonato e resinas epóxi sem Bisfenol A?
Não. O Bisfenol A é essencial no processo de produção do policarbonato e de resinas epóxi. Até o presente momento, não se conhece metodologias industrialmente viáveis para a fabricação desses produtos sem a utilização do Bisfenol A.

4. O Bisfenol A é encontrado na natureza? Há algum alimento natural que contenha Bisfenol A?
Não. O Bisfenol A é uma substância química sintetizada pelo homem.

5. Há provas de que o Bisfenol A não oferece riscos à saúde humana?
O Bisfenol A é um dos produtos químicos mais testados no mundo. Em diversos países, estudos mostraram que produtos fabricados com materiais que tenham Bisfenol A em sua composição, como mamadeiras de policarbonato, não representam riscos à saúde.

Estudos em voluntários humanos confirmaram que o Bisfenol A é metabolizado e rapidamente excretado do organismo, com uma meia vida de aproximadamente quatro horas.

Em 23 de julho de 2008, o Painel AFC da Autoridade Europeia para Segurança Alimentar emitiu um parecer científico adicional sobre o Bisfenol A, referente à sua eliminação do corpo e avaliação de risco para seres humanos. O parecer concluiu que recém-nascidos poderiam efetivamente eliminar o Bisfenol A em níveis muito mais altos do que a ingestão diária aceitável (IDA) de 0,05 mg/kg de peso corporal.

Estudos indicam que não há evidências convincentes de que o Bisfenol A seja cancerígeno ou mutagênico. Esses estudos foram realizados por diversas equipes científicas e governamentais.

A pesquisa mais notável é a conduzida pelo NTP (U.S. National Toxicology Program). Evidências mostram que apenas em altíssimos teores a exposição ao Bisfenol A afetaria a reprodução ou o desenvolvimento humano e poderia causar disfunções em glândulas endócrinas. No entanto, a exposição a altas doses não ocorre em situações reais.

Órgãos reguladores de diversos países recentemente estudaram e determinaram que o Bisfenol A é seguro para o uso em embalagens para contato com alimentos, o que inclui mamadeiras: U.S. Food and Drugs Administration (Estados Unidos), European Food Safety Autority - EFSA (União Europeia), European Commission Risk Assessment (UE), Swiss Federal Office of Public Health (Suíça), French Food Safety Authority – AFSSA (França), Dutch Food and Consumer Product Safety Agency (Holanda), Danish Environmental Protection Agency (Dinamarca), German Federal Institute for Risks Assessment (Alemanha), Food Standards Austrália and New Zeland (Austrália e Nova Zelândia), Japanese National Institute of Advanced Industrial Science and Technology (Japão) e Health Canada (Canadá).

Todos esses estudos consideraram a questão de um possível efeito de baixas doses e concluíram que não existe nenhum risco decorrente da exposição ao Bisfenol A nos níveis atualmente praticados. Segundo o estudo da EFSA, a ingestão total diária de Bisfenol A via mamadeiras é menor do que 10% do limite considerado como seguro para bebês, quando as mamadeiras são normalmente usadas em condições domésticas, e cerca de 20% quando utilizadas sob condições agressivas, como uso de água fervente.

6. Que quantidade de Bisfenol A presente no organismo faria mal à saúde?
O limite de ingestão estabelecido pela União Européia e pelos Estados Unidos é de 0,05 mg de Bisfenol A por quilo de massa corpórea por dia.

Em seu rascunho para publicação sobre a avaliação do Bisfenol A em aplicações para contato com alimentos, o FDA estima que uma criança está exposta a 0,00242 mg de Bisfenol A por quilo de massa corpórea por dia e um adulto a 0,000185 mg de Bisfenol A por quilo de massa corpórea por dia.

Segundo os estudos da National Toxicology Program, dos Estados Unidos, para alcançar o limite tolerável de ingestão de Bisfenol A, uma criança com massa corpórea de 6,1 kg, teria de ingerir 1.060 ml de leite reconstituído (leite em pó com água) por dia contendo 287 microgramas de Bisfenol A por litro, valor seis vezes maior do que a concentração estimada pela EFSA. Testes realizados em Berlim, com parâmetros não realistas, encontraram 157 microgramas de Bisfenol A por litro de alimento em mamadeiras preenchidas com água da torneira, após aquecimento em forno de microondas por aproximadamente duas horas a 100ºC, o que certamente não ocorre em nenhum lar.

7. Por que alguns países, como o Canadá, proibiram a comercialização de mamadeiras e outros produtos infantis que contenham Bisfenol A?
Essas proibições não têm embasamento técnico ou científico. Vários estudos, realizados inclusive com mamadeiras colocadas à venda no comércio, concluíram que não há riscos à saúde humana no uso desses produtos. O Ministério da Saúde do Canadá, bem como o da França, afirmaram que não há riscos à saúde humana e que o uso de Bisfenol A em policarbonatos é seguro para adultos e crianças. O governo canadense, o Ministério da Saúde da França e a FDA, dos Estados Unidos, afirmaram que o público em geral está exposto a doses muito baixas de Bisfenol A por ingestão de alimentos e bebidas que estiveram em contato com policarbonato.

8. Se existe alguma dúvida, já que a questão é a saúde de bebês, por que não são utilizados outros produtos em vez do policarbonato?
O policarbonato é utilizado na fabricação de mamadeiras por ser um produto leve, resistente, translúcido e por não sofrer danos quando exposto a altas temperaturas para a esterilização. É seguro para bebês, crianças e pais. Mamadeiras podem ser feitas com outros materiais, mas é preciso analisar as características do material, como resistência a altas temperaturas e a quebras, riscos de cortes e transparência.

9. Os canadenses afirmam que o Bisfenol A pode migrar do plástico para os líquidos quando as mamadeiras são aquecidas a temperaturas altas e, por essa razão, elas não deveriam ser lavadas com água fervente. Essa recomendação deve ser seguida?
Quando aquecido a temperaturas em torno de 100ºC por um longo tempo, o Bisfenol A pode migrar do policarbonato para o alimento. Mesmo assim, em quantidade extremamente baixa. O limite máximo de migração do Bisfenol A permitido pela ANVISA é de 0,6 mg de Bisfenol A por quilo de simulante. Os simulantes padronizados para uso em testes são: água destilada e deionizada para alimentos aquosos; solução de ácido acético a 3% para alimentos ácidos; azeite de oliva para alimentos gordurosos. A potencial migração do Bisfenol A, identificada em testes realizados com mamadeiras, está muito abaixo desse limite. Como precaução, é recomendável aquecer o alimento em outro recipiente, para depois ser colocado na mamadeira. Caso seja necessário aquecer o alimento em banho-maria, deve-se evitar que a mamadeira fique por muito tempo exposta à água fervente.

10. Quais precauções devem ser adotadas pelas mães em relação ao uso de mamadeiras de policarbonato?
Fazer o que sempre fizeram: as mamadeiras podem ser esterilizadas com água fervente, examinadas para detecção de resíduos antes do uso e enxaguadas antes de receberem os alimentos. Elas devem ser descartadas se mostrarem sinais de desgaste excessivo, como rachaduras ou alterações físicas, embaçamento e branqueamento.

Links
www.bisphenol-a-europe.org
www.bisphenol-a.org

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